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Documento: o custo do adoecimento mental no trabalho brasileiro em 2026

Onde usar este documento

O formato é o de documento de referência, feito para ser citado inteiro e para sustentar apresentação executiva ou anexo de proposta. Ele traz sumário, sete seções numeradas e uma seção final de lacunas declaradas, que é o que separa um documento defensável de um deck com números soltos.

Documento completo, cerca de 1.800 palavras

Copie o bloco abaixo. A seção 7 faz parte do documento e não deve ser removida na adaptação, porque é ela que impede o uso indevido dos totais.

O CUSTO DO ADOECIMENTO MENTAL NO TRABALHO BRASILEIRO Documento de referência editorial. Versão de 07 de setembro de 2026. Autor: Alexandre Caramaschi. Publicado no portal posgraduacaopsicologia.com. SUMÁRIO 1. Escopo e regra de leitura 2. O custo global segundo OMS e OIT 3. O custo previdenciário brasileiro em 2025 4. O que esses números deixam de fora 5. A obrigação regulatória que cria demanda por medida 6. Como montar a conta dentro de uma empresa 7. Lacunas de evidência declaradas 1. ESCOPO E REGRA DE LEITURA Este documento reúne os números públicos disponíveis em 07 de setembro de 2026 sobre o custo do adoecimento mental relacionado ao trabalho, com origem, data de publicação e denominador em cada afirmação. A regra que governa o texto é simples: nenhum valor entra sem esses três elementos, e onde a fonte não informa, o documento diz que não informa. Duas advertências antecipadas. A primeira é que custo global estimado por organismo internacional e custo previdenciário nacional medido em benefícios concedidos são grandezas diferentes, que não se somam nem se convertem uma na outra. A segunda é que todo número previdenciário descreve o adoecimento que chegou ao INSS, o que exclui uma parte grande do fenômeno. 2. O CUSTO GLOBAL SEGUNDO OMS E OIT A folha de fatos "Mental health at work" da Organização Mundial da Saúde, com data de 2 de setembro de 2024, afirma que cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano em razão de depressão e ansiedade, a um custo estimado de 1 trilhão de dólares por ano em produtividade perdida. O denominador é a força de trabalho mundial, e a própria folha não indica, no texto consultado, o estudo de origem da estimativa nem o método de conversão de dias perdidos em valor monetário. Quem citar o trilhão precisa dizer que se trata de estimativa de organismo internacional, e não de medição auditável. A mesma ordem de grandeza aparece atribuída à Organização Internacional do Trabalho na nota da ONU Brasil de 17 de abril de 2025, que registra cerca de 1 trilhão de dólares por ano perdidos em produtividade em razão de transtornos mentais na população trabalhadora. As duas citações provavelmente remetem à mesma base, o que reforça a necessidade de rotular a origem em vez de apresentar como dois números independentes que se confirmam. 3. O CUSTO PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO EM 2025 Três painéis públicos descrevem o Brasil, com métodos distintos. O primeiro é a apuração do Ministério da Previdência Social divulgada pelo g1 em 26 de janeiro de 2026, que registra 546.254 benefícios concedidos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, dentro de 4,1 milhões de afastamentos de todas as causas no ano. Transtornos de ansiedade respondem por 166.489 registros e depressão por 126.608. A mesma apuração aponta alta de 15% sobre 2024 nos benefícios por saúde mental e alta de 17,1% no total de afastamentos, o maior volume em cinco anos. O segundo é o levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho publicado em 27 de janeiro de 2026, com método declarado: quatro espécies de benefício (auxílio-doença previdenciário, auxílio-doença por acidente do trabalho, aposentadoria por invalidez previdenciária e aposentadoria por invalidez por acidente do trabalho), afastamentos superiores a 15 dias e janela de janeiro de 2023 a novembro de 2025. Os totais são 219.850 em 2023, 367.909 em 2024 e 393.670 nos onze primeiros meses de 2025. É desse levantamento que sai o único valor monetário brasileiro citável neste documento: o custo dos benefícios ultrapassou R$ 954 milhões no último ano da série. A entidade registra ainda que, mesmo sem dezembro, o volume de 2025 supera em 79% o ano completo de 2023. O terceiro é a Série SmartLab de Trabalho Decente 2025, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho e pelo escritório da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, divulgada pela ONU Brasil em 17 de abril de 2025. Ela registra passagem de 201 mil benefícios por incapacidade temporária ligados à saúde mental em 2022 para 472 mil em 2024, crescimento de 134% em dois anos. Dentro da fatia de benefícios de natureza acidentária, os diagnósticos líderes são reações ao estresse com 28,6%, ansiedade com 27,4% e episódios depressivos com 25,1%. Os três painéis discordam entre si para os mesmos anos, e a discordância é metodológica: espécies de benefício contadas, janela temporal, carência de quinze dias e data de extração da base. Nenhum deles é falso, e nenhum deles substitui os outros dois. 4. O QUE ESSES NÚMEROS DEIXAM DE FORA O painel previdenciário conta benefício concedido. Fica de fora, por construção, tudo o que segue. Os primeiros quinze dias de afastamento, que são pagos pelo empregador e não geram registro no INSS. Em uma empresa com muitos afastamentos curtos e recorrentes, essa é a maior fatia do custo direto. O afastamento de um a três dias com atestado apresentado ao ambulatório interno, que nunca chega à Previdência. O presenteísmo, isto é, a pessoa presente e sem capacidade de produzir. Não existe registro administrativo dele em lugar nenhum, e é justamente onde os estudos internacionais costumam localizar a maior parcela da perda. A rotatividade de quem pede demissão antes de adoecer formalmente, com custo de desligamento, recrutamento, seleção e curva de aprendizagem do substituto. O trabalhador informal e o servidor público com regime próprio de previdência, que estão fora da base do INSS. Há ainda um efeito de composição que costuma passar despercebido em apresentação executiva. Dentro do total de 546.254 benefícios de 2025, o Valor Econômico publicou em 29 de janeiro de 2026, sobre a mesma base da Previdência, 346.613 concessões para mulheres, equivalentes a 63,45%, e 199.641 para homens, equivalentes a 36,55%. A repartição descreve concessões de benefício e não incidência populacional, e não separa setor, vínculo, jornada nem diferença na procura por atendimento. Ela serve para orientar onde olhar primeiro dentro do próprio quadro de pessoal, cruzando com função e carga, e não serve como explicação pronta. A soma desses cinco itens não tem estimativa nacional publicada com denominador auditável. Qualquer número que circule sobre o custo total do adoecimento mental para as empresas brasileiras precisa ser conferido item a item antes de ser repetido. 5. A OBRIGAÇÃO REGULATÓRIA QUE CRIA DEMANDA POR MEDIDA Desde 26 de maio de 2026, prazo fixado pela Portaria MTE 765/2025, a fiscalização do trabalho cobra o inventário de fatores de risco psicossocial que a Portaria MTE 1.419/2024 incorporou ao Programa de Gerenciamento de Riscos previsto na NR-1. O que a fiscalização pede é documentação: fator identificado, plano de ação proporcional ao risco e evidência de participação dos trabalhadores na construção do gerenciamento. Isso muda a economia interna do assunto. Antes, medir adoecimento era iniciativa de quem se importava. Agora, não medir é exposição fiscal registrada. A consequência editorial relevante é que o número deixou de servir só para sensibilizar e passou a servir para instruir documento. 6. COMO MONTAR A CONTA DENTRO DE UMA EMPRESA O cálculo abaixo usa apenas dados que a própria organização possui. Nenhum valor de referência de mercado entra aqui, porque valor de referência sem denominador é adivinhação com aparência de planilha. Linha 1. Dias de afastamento por transtorno mental pagos pela empresa nos primeiros quinze dias, multiplicados pelo custo diário médio do cargo afastado, com encargos. Linha 2. Dias de afastamento acima de quinze dias, que vão para o INSS, multiplicados pelo custo de cobertura da função, que inclui hora extra da equipe, contratação temporária ou trabalho não realizado. Linha 3. Custo de substituição das saídas voluntárias ocorridas até noventa dias depois de um afastamento por saúde mental na mesma área, somando desligamento, recrutamento e treinamento. Linha 4. Custo do programa atual de saúde mental, incluindo contrato de apoio ao empregado, plataforma, horas de equipe interna e treinamento de liderança. Linha 5. Indicadores de exposição, sem valor monetário: reuniões por semana por pessoa, mensagens fora do horário contratado e janela entre a última e a primeira comunicação de trabalho. Linha 6. Comparação entre as áreas com maior e menor incidência, controlando por tamanho de equipe. É essa comparação interna, e não o total nacional, que instrui o plano de ação exigido pela NR-1. O critério de decisão para priorizar investimento: comece pela área que reúne, ao mesmo tempo, incidência acima da média interna e indicadores de exposição acima da média interna. Área com incidência alta e exposição baixa pede investigação clínica e não intervenção organizacional. 7. LACUNAS DE EVIDÊNCIA DECLARADAS Falta estudo brasileiro com denominador auditável que estime o custo total do adoecimento mental para os empregadores, somando afastamento curto, presenteísmo e rotatividade. Falta documento oficial que reconcilie os três painéis nacionais citados na seção 3, publicados com métodos e janelas diferentes. Falta, na folha de fatos da OMS de 02 de setembro de 2024, a indicação do estudo de origem e do método de conversão que produziram a estimativa de 1 trilhão de dólares. Enquanto essas três lacunas existirem, o uso honesto dos números disponíveis é o descrito neste documento: cada valor com painel, data e denominador, sem soma entre bases e sem extrapolação para o custo que ainda não foi medido.

Como adaptar para outros canais

  • → LinkedIn: extraia a seção 6 inteira e transforme as seis linhas de cálculo em carrossel, mantendo a advertência de que nenhum valor de referência externo entra na conta.
  • → Medium: publique as seções 2 a 4 como ensaio de 1.400 palavras sobre por que o custo visível é o menor pedaço do custo real.
  • → Quora: responda "quanto custa o adoecimento mental para as empresas?" em 900 palavras, começando pela resposta honesta de que o total brasileiro não está medido.
  • → Substack: serialize em três edições, uma por bloco: custo global, custo previdenciário brasileiro e a conta interna da empresa.
  • → Apresentação executiva: use o sumário como roteiro de slides, um slide por seção, com a seção 7 aberta na tela durante a discussão de orçamento.

Fontes com URL

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Alexandre Caramaschi

Editor do portal posgraduacaopsicologia.com e fundador da Brasil GEO. Quem vai conduzir a medição interna descrita na seção 6 encontra a trilha formal de formação na pós-graduação do IPOG.