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Comparativo · Neuropsicologia geriátrica

Comprometimento Cognitivo Leve amnéstico vs não-amnéstico: como o subtipo orienta hipótese, biomarcador e conduta em 2026

A revisão de Petersen (2024) reorganiza a classificação clínica de CCL e a articula com biomarcadores plasmáticos e o framework A/T/N revisto. O subtipo deixa de ser detalhe técnico e passa a definir a estratégia de investigação e de tratamento.

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Por que a distinção importa em 2026

A revisão dos critérios diagnósticos de CCL por Petersen (2024, *Neurology*) mantém a estrutura clássica — queixa cognitiva, déficit objetivo em pelo menos um domínio, preservação de atividades instrumentais, ausência de demência — mas reforça a importância clínica da classificação por subtipo. Amnéstico single domain (déficit isolado em memória episódica), amnéstico multiple domain (memória + outro), não-amnéstico single domain (um domínio que não a memória) e não-amnéstico multiple domain (dois ou mais sem memória) não são variações cosméticas. São hipóteses etiológicas embutidas: amnéstico aponta para doença de Alzheimer prodrômica como diagnóstico mais provável; não-amnéstico amplia o leque para demência por corpos de Lewy, frontotemporal, vascular ou Alzheimer com apresentação atípica.

A integração com biomarcadores reescreve a equação. Ashton et al. (2024, *Nature Medicine*) consolidaram p-tau217 plasmático com AUC de 0,96 para detectar patologia amiloide cerebral, em coorte populacional ampla (BioFINDER-2 e replicações). Jack et al. (2024, *The Lancet Neurology*) revisaram o framework A/T/N e priorizam p-tau217 como indicador de tau, definindo Alzheimer como diagnóstico biológico mesmo em fase pré-clínica. A combinação subtipo + perfil biológico é o que orienta o que fazer a seguir: paciente com CCL amnéstico multiple domain + A+/T+ é candidato a discussão de modificadores de doença (van Dyck et al., 2023, *NEJM*, CLARITY-AD; Mintun et al., 2024, *JAMA*, TRAILBLAZER-ALZ 2); paciente com CCL não-amnéstico + A-/T- precisa de investigação ampliada para outras etiologias.

Para o neuropsicólogo, isso eleva o padrão técnico. A bateria precisa cobrir todos os domínios (não pode ser bateria abreviada que detecta apenas memória), a classificação precisa ser explícita no laudo (não basta "CCL"), e a articulação com biomarcador e neuroimagem é parte do raciocínio clínico. Em 2026, laudo de CCL sem subtipo classificado e sem articulação com perfil biológico está fora do padrão de cuidado.

Tabela 1 — Definição e critérios Petersen 2024

Dimensão CCL amnéstico CCL não-amnéstico
Definição operacional Déficit em memória episódica (verbal e/ou visual) abaixo de 1 desvio-padrão da norma para idade e escolaridade Déficit em pelo menos 1 domínio que não a memória episódica (executivo, linguagem, visuoespacial ou velocidade)
Single domain Memória episódica isolada — RAVLT recuperação tardia ou Logical Memory rebaixados Um domínio isolado — função executiva (TMT-B, fluência) ou linguagem (Boston Naming) ou visuoespacial (Rey figura cópia)
Multiple domain Memória episódica + outro domínio (executivo, linguagem, visuoespacial) Dois ou mais domínios sem memória episódica afetada (raro mas descrito)
Critério funcional IADL preservada ou minimamente alterada; alteração significativa = demência incipiente IADL preservada ou minimamente alterada; mesma regra
Queixa cognitiva Paciente ou informante reporta esquecimento de eventos recentes, repetição de perguntas, perda de objetos Paciente ou informante reporta lentificação, desorganização, dificuldade com nomes, alteração visuoespacial
Ausência de demência Sem prejuízo significativo em vida diária — CDR 0,5 Sem prejuízo significativo — CDR 0,5
Prevalência relativa (Petersen 2024) Mais frequente — cerca de 60-70% dos CCL diagnosticados Menos frequente — cerca de 30-40% dos CCL diagnosticados
Idade típica de identificação 65-80 anos predominantemente Faixa mais ampla; pode começar mais cedo em demência frontotemporal
Anosognosia (paciente subestima) Comum quando há lesão temporal medial extensa Comum em variante comportamental frontotemporal
Importância de informante Essencial — paciente tende a subestimar esquecimento Essencial — paciente tende a subestimar alteração executiva ou comportamental
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A bateria neuropsicológica distingue os subtipos

A classificação por subtipo depende de instrumentação adequada. Bateria abreviada — apenas MoCA + dígitos — não distingue amnéstico de não-amnéstico com segurança. A bateria precisa cobrir os cinco domínios principais: memória episódica (RAVLT, Logical Memory I e II, Rey figura reprodução), função executiva (TMT-B, Wisconsin, fluência verbal fonêmica e semântica, Stroop), linguagem (Boston Naming Test 60 itens, token test, fluência semântica), visuoespacial (Rey figura cópia, cubos da WAIS-IV, julgamento de orientação de linhas) e velocidade de processamento (códigos e símbolos da WAIS-IV). A documentação por z-score em relação à norma brasileira pareada por idade e escolaridade permite identificar quais domínios estão abaixo de 1 desvio-padrão — o critério operacional para CCL.

O padrão temporal em RAVLT é particularmente informativo. Em CCL amnéstico, a curva A1-A5 é rebaixada com platô precoce, a recuperação tardia é gravemente afetada e o benefício de pistas semânticas ou de reconhecimento é limitado — perfil compatível com lesão temporal medial bilateral, típica de Alzheimer prodrômico. Em CCL não-amnéstico, a curva A1-A5 mantém-se dentro do esperado e a recuperação tardia é adequada; o déficit, quando presente, aparece em domínios não-mnemônicos. Esse padrão diferencial é parte central do laudo.

Tabela 2 — Perfil neuropsicológico diferencial por domínio

Domínio cognitivo CCL amnéstico CCL não-amnéstico
Memória episódica (RAVLT, Logical Memory, Rey figura) Rebaixada — curva de aprendizagem com platô precoce, recuperação tardia gravemente afetada, baixo benefício de pistas semânticas Preservada ou minimamente afetada — curva normal, recuperação tardia adequada
Função executiva (TMT-B, fluência, Wisconsin, Stroop) Preservada (single domain) ou rebaixada (multiple domain) Frequentemente rebaixada — TMT-B muito acima do P50, fluência semântica baixa, dificuldade de flexibilidade
Linguagem (Boston Naming, fluência semântica) Preservada (single domain) ou minimamente rebaixada (multiple domain) Pode ser o domínio primariamente afetado — anomia, falhas de evocação léxica, fluência semântica rebaixada (sugere DFT variante linguagem)
Visuoespacial (Rey figura cópia, cubos) Preservada (single domain) ou rebaixada (multiple domain) Pode ser o domínio primariamente afetado — déficit em Rey cópia, julgamento de linhas (sugere DCL ou Alzheimer variante posterior)
Velocidade de processamento (códigos, símbolos) Preservada (single) ou rebaixada (multiple) Pode ser primariamente afetada — sugere demência vascular ou DCL
Padrão temporal em RAVLT Curva A1-A5 baixa, intrusões frequentes, baixo benefício de reconhecimento Curva A1-A5 dentro do esperado, sem intrusões, benefício de reconhecimento adequado
Atenção sustentada Geralmente preservada em single domain Frequentemente comprometida — flutuação atencional sugere DCL
Hipótese etiológica predominante Doença de Alzheimer prodrômica — risco de conversão 10-15% ao ano (Petersen, 2024) Heterogêneo — DCL, frontotemporal, vascular, Alzheimer atípico
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Trajetória clínica e integração com biomarcadores

A trajetória prognóstica diverge entre os subtipos. Em CCL amnéstico multiple domain com p-tau217 plasmático positivo e perfil A/T/N A+/T+, a hipótese de Alzheimer prodrômico é forte, com taxa de conversão para demência por Alzheimer entre 10 e 15% ao ano (Petersen, 2024). Esse cenário define janela para discussão de modificadores de doença: lecanemab no CLARITY-AD desacelerou em 27% o declínio em CDR-SB (van Dyck et al., 2023, *NEJM*); donanemab no TRAILBLAZER-ALZ 2 desacelerou em 35% em iADRS, com efeito superior em carga de tau baixa-intermediária (Mintun et al., 2024, *JAMA*). A indicação depende de critérios adicionais — APOE genotipagem, RNM baseline para microhemorragias, comorbidades, acesso, preferência — mas o subtipo amnéstico é precondição.

Em CCL não-amnéstico, o diferencial é ativo. Déficit visuoespacial e executivo precoces sugerem demência por corpos de Lewy — investigar flutuação cognitiva, alucinações visuais bem formadas, parkinsonismo, distúrbio comportamental do sono REM (critérios McKeith et al., 2017). Alteração executiva e comportamental marcada sugere demência frontotemporal variante comportamental — critérios Rascovsky 2011 com cinco de seis itens (desinibição, apatia, perda de empatia, comportamentos perseverativos, hiperoralidade, perfil neuropsicológico executivo). Alteração de linguagem progressiva sugere afasia primária progressiva variantes não-fluente, semântica ou logopênica. Déficit em velocidade de processamento com leucoaraiose extensa em RNM sugere demência vascular (NINDS-AIREN). A integração de bateria, biomarcador e neuroimagem é o que orienta a hipótese.

Em ambos os subtipos, a Comissão Lancet de Prevenção da Demência (Livingston et al., 2024, *The Lancet*) consolida 14 fatores modificáveis responsáveis por 45% dos casos de demência potencialmente evitáveis — intervenção multidomínio (controle de HAS, DM, audição, exercício físico, engajamento social e cognitivo, sono, alimentação) reduz risco em coortes seguidas e é parte do plano em qualquer subtipo de CCL.

Tabela 3 — Trajetória clínica, biomarcadores e conduta em 2026

Aspecto CCL amnéstico CCL não-amnéstico
Trajetória mais provável Conversão para doença de Alzheimer (10-15% ao ano em amnéstico multiple) Conversão para DCL, frontotemporal, vascular ou Alzheimer atípico
Biomarcador plasma p-tau217 (Ashton 2024) Frequentemente positivo quando hipótese é Alzheimer — apoia indicação de modificadores de doença Frequentemente negativo — orienta investigação de outras etiologias
Perfil A/T/N (Jack 2024) A+/T+ define Alzheimer biológico — candidato a lecanemab/donanemab A-/T- redireciona; A+/T- ou A-/T+ define perfis intermediários
Neuroimagem estrutural (RNM) Atrofia hipocampal e córtex temporal medial; volumetria hipocampal abaixo do esperado para idade Padrão depende da etiologia — atrofia frontal/temporal anterior (DFT), córtex posterior (Alzheimer variante posterior), leucoaraiose extensa (vascular)
Neuroimagem funcional FDG-PET com hipometabolismo temporoparietal — padrão Alzheimer FDG-PET variável conforme etiologia; DaT-SPECT em suspeita de DCL
Conduta clínica em 2026 Encaminhar para confirmação biológica (PET amiloide ou líquor); se A+/T+, discutir lecanemab/donanemab com paciente e família Diferencial ativo — articulação com neurologia para investigação de DCL (com critérios McKeith), DFT (critérios Rascovsky), vascular (NINDS-AIREN)
Reavaliação neuropsicológica Anual; semestral se em modificador de doença ou progressão rápida Anual; intervalo menor se há suspeita de DCL (flutuação cognitiva é marcador)
Implicação para paciente e família Janela de planejamento (procuração, testamento vital), engajamento em prevenção (Livingston 2024 — 14 fatores), discussão de tratamento modificador Janela para diagnóstico diferencial ativo — etiologia define manejo (rivastigmina em DCL, abordagem específica em DFT, controle vascular)
Estabilidade ou progressão Trajetória mais previsível — declínio linear quando há Alzheimer subjacente Trajetória mais variável — pode ter platô, flutuação ou progressão variável conforme etiologia
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CCL amnéstico

Memória episódica como eixo

Déficit em memória episódica detectado por RAVLT, Logical Memory e Rey figura — curva A1-A5 baixa, recuperação tardia gravemente afetada, baixo benefício de pistas. Hipótese predominante: Alzheimer prodrômico. Em multiple domain, memória + outro domínio. Trajetória mais previsível, com taxa de conversão para Alzheimer de 10-15% ao ano. Candidato a investigação biológica com p-tau217 plasmático e discussão de modificadores de doença quando A+/T+.

CCL não-amnéstico

Outros domínios como eixo

Déficit em domínio que não a memória — executivo (TMT-B, Wisconsin), linguagem (Boston Naming), visuoespacial (Rey figura cópia) ou velocidade. Hipóteses heterogêneas: demência por corpos de Lewy, frontotemporal, vascular ou Alzheimer atípico. Diferencial ativo com biomarcadores específicos, neuroimagem estrutural e funcional, critérios McKeith, Rascovsky ou NINDS-AIREN. Trajetória variável; conduta individualizada por etiologia.

Mini-caso · composto

Duas pacientes, dois subtipos, duas trajetórias

Maria, 73 anos, escolaridade superior completa, professora aposentada, queixa de esquecimento progressivo há 12 meses. Filha confirma e descreve repetição de perguntas e perda de objetos. IADL com leve alteração em finanças. MoCA 23/30, MEEM 26, CDR 0,5. RAVLT com A5=7 (esperado mais de 11) e recuperação tardia 2/15. Logical Memory I e II abaixo do esperado. Rey figura cópia preservada, reprodução tardia 10/36. TMT-B no P25, Boston Naming 51/60, Wisconsin normal. Classificação: CCL amnéstico multiple domain (memória + leve função executiva). p-tau217 plasmático: 2,1 pg/mL (positivo). Perfil A/T/N: A+/T+. Hipótese: Alzheimer prodrômico. Encaminhamento para neurologista para discussão de modificador de doença, paralela a plano de prevenção Livingston (audiometria, controle de HAS, exercício, engajamento social).

Joana, 68 anos, escolaridade média completa, comerciante aposentada, queixa de "lentidão" e "dificuldade de fazer várias coisas ao mesmo tempo" há 10 meses. Marido confirma e descreve episódios em que viu vultos pela casa e teve sonhos agitados nos últimos meses, com movimentos durante o sono. IADL preservada. MoCA 24/30, MEEM 27, CDR 0,5. RAVLT preservada (A5=12, recuperação tardia 11/15). TMT-B no P15 (rebaixado), Rey figura cópia 28/36 (rebaixada para escolaridade), cubos da WAIS-IV no P20, fluência semântica 11 (rebaixada). Boston Naming preservado. Classificação: CCL não-amnéstico multiple domain (executivo + visuoespacial). p-tau217 plasmático: 0,6 pg/mL (negativo). Perfil A/T/N: A-/T-. Hipótese: demência por corpos de Lewy em estágio prodrômico (critérios McKeith ainda não preenchidos plenamente — flutuação cognitiva possível, alucinações visuais incipientes, distúrbio comportamental do sono REM provável). Encaminhamento para neurologia para DaT-SPECT e polissonografia, plano de seguimento semestral.

Casos compostos ilustrativos. A diferença prática entre os dois subtipos não é nomenclatura — é o caminho clínico, o biomarcador indicado, a hipótese etiológica e o plano com o paciente e a família.

Erros frequentes na classificação

  1. Reportar apenas "CCL" sem subtipo. A classificação amnéstico/não-amnéstico e single/multiple domain é parte do laudo em 2026. Sem ela, a hipótese etiológica fica sem orientação e o plano clínico fica sem direção.
  2. Concluir CCL amnéstico com bateria abreviada. MoCA + dígitos não distingue subtipos. Bateria precisa cobrir os cinco domínios — memória episódica, função executiva, linguagem, visuoespacial, velocidade.
  3. Solicitar p-tau217 em CCL não-amnéstico sem hipótese clara de Alzheimer. Ashton et al. (2024) validam o biomarcador para CCL com hipótese de Alzheimer subjacente; uso fora de indicação tem rendimento clínico limitado.
  4. Ignorar diferenciais em não-amnéstico. Flutuação cognitiva, alucinações visuais, alteração de marcha, distúrbio comportamental do sono REM, alteração de personalidade — sinais que ativam diferencial com DCL, frontotemporal, vascular. Sem essa busca, hipótese de Alzheimer atípico é fechada precocemente.
  5. Encerrar avaliação sem reavaliação programada. CCL é entidade longitudinal — Petersen (2024) destaca que mudança intra-sujeito de mais de 0,5 desvio-padrão entre avaliações é sinal de progressão. Sem reavaliação anual, CCL estável e CCL progressivo ficam indistinguíveis.

Perguntas frequentes

CCL amnéstico sempre vira Alzheimer?

Não. Petersen (2024, *Neurology*) reporta taxa de conversão de CCL amnéstico para Alzheimer entre 10 e 15% ao ano, significativamente maior que a população geral, mas longe de 100%. Parte estabiliza, parte reverte para cognição normal (quando há comorbidade reversível: depressão, déficit de B12, hipotireoidismo, medicação anticolinérgica), parte progride. A combinação de subtipo amnéstico (especialmente multiple domain) com p-tau217 plasmático positivo (Ashton et al., 2024, *Nature Medicine*) eleva o risco preditivo de conversão e identifica candidatos a modificadores de doença. CCL amnéstico single domain com biomarcador negativo é cenário de menor risco.

CCL não-amnéstico exclui Alzheimer?

Não exclui, mas torna outras etiologias mais prováveis. CCL não-amnéstico single domain frequentemente aponta para demência por corpos de Lewy (déficit visuoespacial e executivo precoces), demência frontotemporal variante comportamental ou primária progressiva (alteração executiva ou de linguagem), ou demência vascular. CCL não-amnéstico multiple domain pode apontar para diferenciais sobrepostos. Em parcela menor, Alzheimer com apresentação atípica (variantes posterior, logopênica, frontal) inicia com déficit não-amnéstico. A integração com biomarcador (p-tau217, FDG-PET, neuroimagem estrutural) é o que orienta a hipótese.

Quais instrumentos diferenciam amnéstico de não-amnéstico?

A bateria precisa cobrir todos os domínios. Memória episódica: RAVLT (Rey Auditory Verbal Learning Test, normatização brasileira Malloy-Diniz et al.), Logical Memory I e II da WMS-IV, Rey figura complexa (reprodução imediata e tardia). Função executiva: TMT-A e TMT-B, Wisconsin, fluência verbal fonêmica (FAS) e semântica, Stroop. Linguagem: Boston Naming Test 60 itens, token test. Visuoespacial: Rey figura (cópia), cubos da WAIS-IV. Velocidade de processamento: códigos e símbolos da WAIS-IV. O subtipo é determinado pelos resultados objetivos, não pela queixa do paciente — amnéstico single domain tem déficit isolado em memória episódica; multiple domain tem memória + outro; não-amnéstico tem déficit em domínio que não a memória.

A classificação amnéstico/não-amnéstico ainda é relevante em 2026?

É relevante e foi reforçada pelos critérios revisados de Petersen (2024). A revisão integra a classificação clínica com biomarcadores (perfis A/T/N de Jack et al., 2024, *Lancet Neurology*) — a combinação subtipo + perfil biológico orienta a hipótese etiológica e o plano. Amnéstico + A+/T+ é cenário mais previsível para Alzheimer prodrômico e candidato a discussão de modificadores de doença (lecanemab, donanemab). Não-amnéstico + A-/T- redireciona para investigação de outras demências. A classificação não é exercício acadêmico; é estrutura prática que orienta o que fazer a seguir.

Síntese

O subtipo não é nomenclatura — é hipótese etiológica embutida.

  • CCL amnéstico orienta hipótese de Alzheimer prodrômico — bateria com RAVLT e Logical Memory, p-tau217 plasmático, perfil A/T/N, discussão de modificadores de doença em A+/T+.
  • CCL não-amnéstico amplia o diferencial — DCL, frontotemporal, vascular, Alzheimer atípico — com critérios específicos (McKeith, Rascovsky, NINDS-AIREN) e biomarcadores complementares.
  • Bateria precisa cobrir cinco domínios; classificação por subtipo precisa estar no laudo; reavaliação longitudinal é o que diferencia CCL estável de CCL progressivo.
  • Em 2026, laudo de CCL sem subtipo e sem articulação com biomarcador está fora do padrão de cuidado em centros de referência.

Para neuropsicólogas e neuropsicólogos que conduzem essa avaliação, o MBA em Reabilitação Neuropsicológica e Desenvolvimento Cognitivo do IPOG e o MBA em Neurociência e Psicologia Positiva consolidam fundamento técnico. Próximo passo: confirmar grade e turma vigentes no portal oficial.

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